Quando eu era criança, lembro-me apenas de que não me dava bem com, justamente, crianças. Uma e outra e já estava brigando. Nada anormal. Criança é incansável; até não conseguir o que quer, é o ser mais chato do mundo. Quando me tornei adolescente, a tolerância diminuiu drasticamente; parece que na adolescência o ímpeto revoltado fica à flor da pele. Criança, naquela época, só servia para incomodar, sem contar que eu brigava e discutia, agindo como uma criança. A verdade é que adolescente também age como criança, pensando que já é adulto. Quando cheguei aos meus 18, o carinho pelas crianças parece que deu uma guinada; já não discutia mais com elas, pois já me sentia maduro o bastante para “concordar” com elas. Hoje, vejo uma criança e tenho vontade de sentar e bater um bom papo. Três, quatro, seis, oito anos. Não interessa a idade. É legal entrar no mundinho dela, ou, talvez, no fantástico mundo dela. Mundo puro, inocente, em paz, lúdico, ingênuo e ao mesmo sábio. Nietzsche uma vez disse: “A maturidade só é conquistada quando se recupera a mesma seriedade que se tinha nas brincadeiras de criança”.
